Por muitas vezes acreditei que se eu soubesse o que queria, teria resposta pra tudo isso que me falta e que o que me falta chegaria até mim de forma instantânea. Bem, foi obviamente preciso eu descobrir o que queria pra ver que, na maioria das vezes, o querer não é sinônimo de acontecer. Não se pode ter tudo o que se quer. Ao mesmo tempo, então, eu descobri o que não queria. E foi aí que eu cheguei mais perto. Talvez a resposta exista por exclusão. Tirei de perto de mim tudo aquilo de que eu não precisasse, que não me fazia sentir nada, que não causava frios na barriga, que não me tirasse a respiração. Só que, como exceção à minha regra, retirei você também. Você, que, mesmo sem querer, acabou chutando a porta, entrando na minha vida, entrando na minha casa, escrevendo nos meus livros, me afogando nas tuas histórias. Você que, mesmo eu querendo tanto, se tornou a coisa de que eu menos preciso perto de mim. Te arranquei das minhas páginas, passei a borracha na tua escrita, te deixei caminhar pra fora da minha porta. Eu realmente não sei dizer o que vai acontecer. Muito menos sei o que é que a gente faz quando não sabe o que vai acontecer. Mas não é no meio de momentos em que estamos mais perdidos que encontramos as saídas? Eu sei que, talvez de propósito, eu tenha passado reto por muitas delas e também sei que te deixar ir embora sempre foi uma decisão que nunca me passou pela cabeça. Mas tantas coisas, hoje, me passam pela cabeça. Tantas coisas mudaram e, por muitas vezes, você não pôde perceber nenhuma delas. Acho que o que eu quero está muito além de tudo o que você vê. O que eu quero é tudo o que você não sente, tudo o que eu ainda não sinto e - ainda - tudo o que eu uma vez já senti.

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